sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Jogos Olímpicos 2016: Brasil, Rio de Janeiro

(texto anteriormente publicado na Folha de Alphaville – 09 de outubro de 2009, p. A2)

Finalmente iremos sediar os Jogos Olímpicos. Estamos eufóricos e felizes, mas qual o significado disto? Qual a importância desta ocasião?

Como ex-atleta e profissional de Educação Física vivenciei, conheço e estudo o fenômeno esportivo e tenho consciência do que está por traz dos seus bastidores. Pouco se fala sobre o tráfico de influências, os privilégios e desmandos dos dirigentes, as lesões permanentes, os efeitos dos treinamentos sem ou com critérios duvidosos, os desvios de verbas e subornos, o lobby e interesses daqueles que querem lucrar a qualquer preço.

Estou certa de que não iremos triplicar o número de medalhas ou, por um passe de mágica, ao sediarmos os Jogos, nos tornarmos uma potência olímpica. Portanto, sem romantismo ou ingenuidade, afirmo: ainda sim, temos em nossas mãos uma grande oportunidade.

Sediar eventos desta magnitude e com as proporções dos Jogos Olímpicos é catalisar mudanças. É a oportunidade de acelerar o processo de transformação de uma nação e aprimorar as competências de seu povo visando reposicioná-lo mundialmente. O impacto econômico, turístico e social decorrente deste empreendimento exige mudanças profundas no modo de pensar e agir dos cidadãos.

Depois de tentativas frustradas (2000, 2004 e 2012) foi apresentado um projeto que deixou para traz o amadorismo dos projetos anteriores. Ao longo de todo processo – do projeto técnico às apresentações estrategicamente planejadas para as inúmeras reuniões de trabalho – foi preciso deixar o improviso e o “jeitinho brasileiro” de lado e convencer com comportamento próprio daqueles que, além de sonhar, são organizados, eficientes e capazes.

A despeito dos clichês que envolveram a campanha (“somos acolhedores”; “será na cidade mais linda do mundo”; “estamos de braços abertos”), somos um povo que tem por esporte nacional (!!!) se auto-depreciar. Tal comportamento, que justifica nosso conformismo, nossa inércia e que nos mantém na zona de conforto, nada tem a ver com o comportamento empreendedor e revolucionário daqueles, uma nação, que se propõe a promover uma Olimpíada.

Planejamento, gestão, competência, empreendedorismo, responsabilidade, compromisso, determinação são palavras de ordem para desenvolver uma nação e, claro, alcançar o pódio olímpico. Coincidentemente elas dependem de uma política na qual cada cidadão possa desfrutar de anos de escolarização, sem os quais qualquer projeto não sairá do papel.

Brasil, Rio de Janeiro - 2016 e nós temos a mesma oportunidade, no século XXI, que tiveram a Espanha, Barcelona - 1992 e os espanhóis no século XX: mudar o nosso futuro.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Excelente texto professora Rita! De fato, é conflitante nos posicionarmos entre a euforia da realização dos Jogos Olímpicos no Brasil e a preocupação com questões mais amplas, advindas ou não do referido evento.

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