sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Satisfação no trabalho e avaliação de desempenho: variáveis interdependentes

Na manhã de hoje participei de um encontro com o chamado trio gestor (supervisoras de ensino, diretoras de escolas e coordenadoras pedagógicas) de uma rede municipal de ensino cujos resultados observados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) estão muito acima das metas projetadas pelo MEC e dos resultados observados nos municípios vizinhos, inclusive os da capital paulista.


Estavam estampados nos rostos daquelas profissionais o orgulho e a alegria de serem, junto com os professores e funcionários, referência na educação da região. Passado um tempo de discussão perguntei a elas: a que vocês atribuem o sucesso do trabalho? Sem hesitar e com a consciência do que fazem, responderam: clareza sobre as metas, investimento em capacitação, integração e trabalho em equipe, envolvimento com a comunidade, preocupação com o cliente, avaliação de desempenho e gestão eficiente (não exatamente nesta ordem).


É importante registrar novamente que a resposta foi dada por profissionais da educação, notadamente da rede municipal, e que contraria várias e supostas verdades sobre a educação pública brasileira. Sem romantismo algum, pois estão conscientes dos desafios, das dificuldades e das resistências inerentes ao processo educacional, estas educadoras estão, “apenas”, fazendo o seu trabalho.


Em outra oportunidade, caracterizei satisfação no trabalho afirmando que existem variáveis que, articuladas, a compõe. Hoje aprendi que estar submetido à avaliação de desempenho é uma delas.


Ps: já disse isso e agora vou registrar: está acontecendo uma revolução silenciosa na educação brasileira e ela não está localizada nas grandes e médias cidades.



Ps2: Missão Aluno na CBN meses depois: "Escolas no interior...."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Jogos Olímpicos 2016: Brasil, Rio de Janeiro

(texto anteriormente publicado na Folha de Alphaville – 09 de outubro de 2009, p. A2)

Finalmente iremos sediar os Jogos Olímpicos. Estamos eufóricos e felizes, mas qual o significado disto? Qual a importância desta ocasião?

Como ex-atleta e profissional de Educação Física vivenciei, conheço e estudo o fenômeno esportivo e tenho consciência do que está por traz dos seus bastidores. Pouco se fala sobre o tráfico de influências, os privilégios e desmandos dos dirigentes, as lesões permanentes, os efeitos dos treinamentos sem ou com critérios duvidosos, os desvios de verbas e subornos, o lobby e interesses daqueles que querem lucrar a qualquer preço.

Estou certa de que não iremos triplicar o número de medalhas ou, por um passe de mágica, ao sediarmos os Jogos, nos tornarmos uma potência olímpica. Portanto, sem romantismo ou ingenuidade, afirmo: ainda sim, temos em nossas mãos uma grande oportunidade.

Sediar eventos desta magnitude e com as proporções dos Jogos Olímpicos é catalisar mudanças. É a oportunidade de acelerar o processo de transformação de uma nação e aprimorar as competências de seu povo visando reposicioná-lo mundialmente. O impacto econômico, turístico e social decorrente deste empreendimento exige mudanças profundas no modo de pensar e agir dos cidadãos.

Depois de tentativas frustradas (2000, 2004 e 2012) foi apresentado um projeto que deixou para traz o amadorismo dos projetos anteriores. Ao longo de todo processo – do projeto técnico às apresentações estrategicamente planejadas para as inúmeras reuniões de trabalho – foi preciso deixar o improviso e o “jeitinho brasileiro” de lado e convencer com comportamento próprio daqueles que, além de sonhar, são organizados, eficientes e capazes.

A despeito dos clichês que envolveram a campanha (“somos acolhedores”; “será na cidade mais linda do mundo”; “estamos de braços abertos”), somos um povo que tem por esporte nacional (!!!) se auto-depreciar. Tal comportamento, que justifica nosso conformismo, nossa inércia e que nos mantém na zona de conforto, nada tem a ver com o comportamento empreendedor e revolucionário daqueles, uma nação, que se propõe a promover uma Olimpíada.

Planejamento, gestão, competência, empreendedorismo, responsabilidade, compromisso, determinação são palavras de ordem para desenvolver uma nação e, claro, alcançar o pódio olímpico. Coincidentemente elas dependem de uma política na qual cada cidadão possa desfrutar de anos de escolarização, sem os quais qualquer projeto não sairá do papel.

Brasil, Rio de Janeiro - 2016 e nós temos a mesma oportunidade, no século XXI, que tiveram a Espanha, Barcelona - 1992 e os espanhóis no século XX: mudar o nosso futuro.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Quando o trabalho adquire um sabor raro

Tempo de férias é tempo de fazer as boas coisas da vida: curtir a família e os amigos, viajar por lugares desconhecidos, “brisar” à toa, ler histórias. Sem dó nem piedade fiz tudo isso. No entanto, com certo grau de ineditismo visto que não tenho o hábito de ler biografias e me debrucei sobre as do Agassi (Open, 2010), do José Alencar (José Alencar – amor à vida, 2010) e da Ruth Cardoso (Ruth Cardoso – fragmentos de uma vida, 2010).

A vida de cada um, por si só, vale a pena ser conhecida, mas o que mais me surpreendeu foi que, apesar das singularidades, as trajetórias têm aspectos em comum. O atleta, o empresário e a antropóloga em questão são pessoas públicas, formadoras de opinião, com carreiras consolidadas e são ícones em suas respectivas áreas de atuação.

Além disto, em um dado momento de suas vidas, por exigência das circunstâncias e em momento de crise pessoal, mobilizaram seus conhecimentos, seus contatos e aproveitaram sua influência em favor de um propósito, de uma causa.

O tenista fundou uma escola que atente milhares de crianças em situação de risco; o empresário construiu um dos principais parques industriais do país e a antropóloga criou uma organização não-governamental referencia mundial. Andre Agassi College Preparatory Academy, Coteminas e Comunidade Solidária são as “causas” a que me refiro.

Em novembro último escrevi neste blog um artigo afirmando que qualidade de vida no trabalho está relacionada com metas que defino e atinjo e com uma causa que defendo. Agora acrescento: se essa causa está relacionada com dar oportunidades para que outras pessoas cresçam e se desenvolvam, o trabalho adquire um sabor raro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Competência Profissional: aproveitar as férias para aprimorá-la

Janeiro. Verão. Férias. Sobretudo para os habitantes do hemisfério sul é tempo de viajar. E lá vou eu de mochila nas costas conhecer e aprender sobre o mundo e com o mundo. Ver e ouvir o diferente.

Sabemos que uma das mais importantes competências profissionais está relacionada com a capacidade de tomar decisões e quanto mais informação e conhecimento possuímos, melhor será nossa análise e melhor a articulação das variáveis.

Informação e conhecimento são fundamentais, mas não são suficientes. É preciso ter a mente aberta, ou seja, evitar ao máximo os pré-conceitos e abandonar a visão unilateral da realidade. É por esse motivo que "viajar é preciso". Temos aí uma oportunidade maravilhosa de conhecer pessoas diferentes e compartilhar diversos costumes e modos de pensar.

Mente e coração abertos para conhecer e experimentar o novo evitando fazer comparações ou afirmações do tipo "Hum, que esquisito. Do meu jeito é melhor". Convenhamos: é apenas diferente; pode ser de outra maneira.

Soltar as amarras dos pré-conceitos, saborear outras idéias, ampliar a consciência, abandonar as verdades absolutas, tornar-se mais tolerante só é possível conhecendo gente!

Ampliar as competências profissionais tem tudo a ver com aproveitar o tempo livre para aprender com os outros. Avante profissionais.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Promessas de Ano Novo

Sabemos de cor e salteado a lista dos melhores truques para começar bem o ano que se inicia: pular ondas, vestir branco, comer lentilha, soltar fogos, perfumar a casa, etc e tal. Há sempre esperança no ar e se podemos potencializá-la com esses pequenos artifícios, que mal faz? Festa é para ser aproveitada.

Existe outra lista que, inexoravelmente, não pode faltar nesta época: aquela na qual registramos nossas promessas, aquilo que juramos que vamos realizar “no ano que vem”! Gosto de pensar que fazemos isso porque acreditamos que o tempo nos dá mais uma chance para realizarmos nossos projetos. Sob essa ótica, o tempo, que envelhece a todos, é generoso e parceiro.

Muito provavelmente, aquilo que “prometemos e juramos realizar no ano que vem” não seja algo estratosférico e inatingível. Sinceramente, talvez seja bem banal e corriqueiro. Melhor assim, pois é humanamente alcançável. Mas é preciso dar o primeiro passo. (Outro dia tuitei: máxima do esporte: quem se desloca, recebe; máxima da carreira: quem está em movimento, encontra os caminhos; máximas das máximas: vai!).

O primeiro passo. Como um bebe, cambaleando, mas sempre sorrindo. Vai! Acredite! Divirta-se!

Carlos Drummond de Andrade, em sua Receita de Ano Novo, disse tudo isso com alma de poeta: “...Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem que fazê-lo de novo, sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre”.

Luminoso Ano Novo a todos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Carta ao Papai Noel

Com a proximidade do natal e ainda na infância, eu e meus irmãos éramos incentivados, pelos nossos pais, a escrever para o Papai Noel. As cartas, com letras típicas de crianças em fase de alfabetização, eram colocadas em local estrategicamente escolhido, para que o bom velhinho pudesse encontrá-las.

Lembro-me de que não era nada fácil escrevê-las. Em uma mistura de expectativa e ansiedade nunca sabíamos o que colocar na folha que, apesar de alguns desenhos natalinos pintados em vermelho e verde, continuava sendo de caderno. Observando essa dificuldade, recebíamos a seguinte dica: “agradeça, comente o que realizou e faça um pedido”. Então vamos lá:

Querido Papai Noel,

O ano foi muito bom e eu queria agradecer às pessoas com as quais pude aprender. Apesar de ser professora e ensinar, hoje sou mais competente porque estava aberta para observar, ouvir e aprender e as pessoas com as quais convivi (alunos, colegas, família, amigos, professores) foram muito generosas comigo, compartilhando seus saberes e seus conhecimentos.

Além das coisas que já sabia fazer (e aperfeiçoei-as com as dicas que recebi), aventurei-me por outros caminhos e experimentei coisas novas. Com a aprendizagem advinda deste processo ampliei minha inserção no mundo do trabalho e minha empregabilidade. Não foi fácil sair da zona de conforto, mas com o apoio de pessoas sensacionais, fui conquistando desenvoltura e competência. Passado o temor da frustração, sinto-me recompensada pelo esforço e feliz com meu sucesso.

Bem.... o meu pedido? É simples: quero aprender mais e viver novas experiências; quero compartilhar conhecimento com as pessoas; quero estar disponível para construir 2011.

Beijo grande, Papai Noel.

Feliz Natal a todos.

Ps: curioso, mas meus pais, com essa atitude tão corriqueira, estavam ensinando aos seus filhos a acreditar, a desejar e a conquistar.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Liderança e Cargo: a mulher no seu devido lugar

Nas últimas semanas foi possível acompanhar a repercussão da eleição de uma mulher para a presidência do país, bem como a discussão do significado simbólico deste resultado para as relações de poder. A despeito dos comentários jocosos e das piadas de gosto duvidoso, estamos diante de uma realidade saborosa: precisamos aprender a romper com os padrões.

Na maioria das instituições sociais, sejam elas família, escola, igreja e/ou empresa, a mulher sempre exerceu sua liderança, no entanto, sempre de forma (mais ou menos) velada, sem chamar muita atenção e trabalhando duro. Tal realidade se tornou, inclusive, dito popular: por trás de um grande homem existe uma grande mulher.

Agora, no entanto, estamos vendo o rompimento deste padrão e presenciando as mulheres exercendo sua liderança, explicitamente, através dos cargos que estão ocupando, acendendo na carreira por suas competências ou empreendendo seus próprios negócios.

Novos tempos exigirão de todos, independentemente de gênero, novas aprendizagens e a construção de uma nova cultura nas relações de trabalho. E, quem sabe, poderemos ouvir outro tipo de dito popular: ao lado de uma grande mulher e de um grande homem, seus semelhantes.